caminho

Você suporta cada parte minha. A que grita e a que chora.
Acolhe meus lamentos desvairados e minhas noites enebriadas.
Compartilha meus pecados, meus passos errados, minhas posturas exageradas e minhas palavras malcriadas.
Ao seu lado eu sou inteira, correta, colorida e ainda eu.
O som de sua voz me faz feliz, o seu toque me derrete e me imerge em uma piscina morna que priva meus sentidos faz minha face dura derreter, amolecer e então sou somente uma mulher. A sua.
A sua volta eu sou eu… mas sou melhor.

Sunshine-On-My-Shoulder

Me sinto aliviada por não precisar me despedir de sua importância em meus dias atuais. Me despedi de você a cada dia em que você aos poucos foi partindo. Quando me dei conta você estava já tão longe de mim que qualquer palavra de adeus já não seria ouvida.

Algumas coisas quando são quebradas, adquirem naquele momento sua forma original. Imperfeitas são reais. Imperfeitas se tornam possível.
O aprendizado desse ensinamento da vida foi me cobrado em pesares, que ainda pesam.
Algumas coisas deveriam permanecer sempre no passado, seguras por uma corrente invisivel que as tornava perfeitas. Não importando se eram reais ou não.

O medo de sentir-se só nos torna reféns do passado, de situações que não correspondem à realidade. Fazemos ficção romântica de nossa própria vida, para darmos a ela uma importância que deveria existir pelo simples fato de Existir.

Nesse momento, eu deixei a última parte de você partir, mesmo que você ainda não tenha ido embora.
Nesse momento, eu preciso urgentemente Existir.

sem

Composição: Chico Buarque

Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia
Você não vai crescer

Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos
Vou te envolver nos cabelos
Vem perde-te em meus braços
Pelo amor de Deus

Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu

Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer

De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus

maca-mordida

Você revira meu tempo.
Você destroi o meu rumo.
Quando toca minha bússola
Despenteia meu Norte
Invadindo meu Sul.

Que marca meu seio.
Você mata e cria o anseio.
Você nao chega no meu coração
Mas você desconcerta minha razão.
Tira meus dois pés do chão.

Eu te quero pra mim.
Uso exclusivo da paixão.
Quero por vezes te dar e outras te deixar na mão.
Te quero sentado, esperando, ansioso, medroso.
Te quero assim, brinquedo, avulso e exclusivo.

Pra mim.

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Um dia desses em um blues
Em uma garrafa…
Vou ter que me curar do seu excesso.
Vou ter que chorar pela sua falta.

Qualquer dia desses eu vou me permitir morrer.
Pra no outro dia renascer, sem ter sentido seu gosto.
Seu Eu, é um excesso e me fez transbordar, inundar.
O meu Eu exagerou e no seu excesso, pecou.

Você transformou minhas noites em pecado.
Meu sangue em veneno.
Meus dias em espera.

Corpo e, sombra

Tive dias em que plainei, por cima das nuvens.
Mas sabia que não era eu.
Sabia que não era pra mim.
Então voltei para o meu Palácio de Penumbras, que fica na parte mais profunda onde eu já estive.
E é tão calmo como o chão…Tão sólido.
Dali eu sei, mais pro fundo eu não vou.

E aqui no abismo escuro que eu me encontro, que eu reino.
Passiva, Calma, Plena, Onipresente em Mim Mesma.
É aqui que eu sou. E aqui que eu nasci pra estar
É aqui que eu nasci pra morrer.
Em cada canto eu sei onde guardei cada dor, cada amor falido e cada guerra vencida ou perdida.

É aqui que mora cada sorriso que eu nao me permiti dar e também todos os que eu já dei querendo chorar.
É aqui que está cada abuso e cada ferida que pra ninguém eu pude contar.
Aqui eu me permito viver cada culpa que fora de mim eu finjo estar.
É aqui que cada lágrima ganha cor, ganha nome e ganha vida.

Aqui no meu Castelo, EU POSSO.
Aqui não há expectativas, não há expectadores para cada derrota, para cada maldade e cada sentimento mesquinho que eu possa ter.

Aqui eu posso ter inveja, eu posso praguejar e eu posso errar.
Eu posso quebrar tudo, porque aqui já nada é inteiro.
Aqui não há mais perdas, porque o que havia, já foi perdido.

Aqui, só aqui eu descanso. Cálida, sem cor, sem voz e sem vontades.
Aqui eu repouso.
Aqui não há tempo e não há espera
Há somente certezas. Absolutas e Sinceras.

É aqui, só aqui que eu sei plenamento quem sou.
É aqui que eu posso acabar, sumir, sem nunca ter saudade de ter existido.

É aqui no aconchego gelado da penumbra que me aceito.
Que eu domino.
É aqui que eu Sou. Firme. Eu. Fatal.

Esse texto não é meu… mas o acho fabuloso. Fala da fé que temos no tempo, de que ele torna as coisas perfeitas ou suportáveis.

Autoria de Fred Martins e Alexandre Lemos

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Me disse vai embora, eu não fui
Você não dá valor ao que possui
Enquanto sofre, o coração intui
Que ao mesmo tempo que machuca o tempo
O tempo flui
E assim o sangue corre em cada veia
O vento brinca com os grãos de areia
Poetas cortejando a branca luz
E ao mesmo tempo que magoa o tempo me passeia

Quem sabe o que se dá em mim?
Quem sabe o que será de nós?
O tempo que antecipa o fim
Também desata os nós
Quem sabe soletrar adeus
Sem lágrimas, nenhuma dor
Os pássaros atrás do sol
As dunas de poeira
O céu de anil no pólo sul
A dinamite no paiol
Não há limite no anormal
É que nem sempre o amor
É tão azul

A música preenche sua falta
Motivo dessa solidão sem fim
Se alinham pontos negros de nós dois
E arriscam uma fuga contra o tempo
O tempo salta

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Houve um tempo em que a vida era complicadamente simples.
O futuro transbordava de sonhos coloridos, que eu mesma podia construir, com uma facilidade, que hoje enxergo, era cheia de lacunas.
Os céus de outono tinham não só a cor, eram também cheirosos de morango.
Montes de problemas eram só transitórios, eu tinha a Certeza como parte do meu chão.
O meu Amanhã era sempre melhor, embora eu ainda estivesse vivendo o Hoje.

O meu Amanhã chegou, e eu inacreditavelmente, perdi a certeza pelo Hoje.

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Quem vê meus olhos, são negros, não me vê por dentro, eles não são o espelho da minha alma… eles são o reflexo da minha escuridão que brota de dentro, pra fora.

Quem ouve minha voz, menina, pequena… não sabe a mulher amarga que grita e luta dentro do meu coração, ela o rasga com cada  grito de dor causado pelas feridas que a vida lhe fez e que ainda não sarou.

Quem vê minha calma e minha paciência, não sabe da inquietude que estremece meu ser. Não sabe que cada segundo da minha vida é conquistado com a agonia e com o desespero de quem não sabe se vai agüentar viver o segundo seguinte.

Quem me vê feliz, jamais imagina que a felicidade não existe.

Existe um mundo lá fora, e é lindo… me contaram.
Lá tem flores, gente sorrindo e uma chance de ser feliz em cada esquina.
Mas não me querem lá, e as vezes eu nem sei onde o encontrar. 

Existe um mundo lá fora, onde a vida é uma festa e as pessoas dançam ao luar…
No cinema você pode vê-lo, mas na vida real nunca consegui achar.
Algumas pessoas desse mundo onde estou, já o viram, dizem que aparece quando o prato tá cheio de comida, e dentro do coração existe um lar. 

Existe um mundo lá fora, e ele não é pra mim…
Prá mim não basta saúde e amor, quero mais que isso.
Quero flores na janela, uma vida diferente a cada dia…
E a oportunidade de ser uma pessoa diferente a cada amanhecer.
Quero viver muitas vidas, e em todas elas ser feliz. 

É… existe um mundo lá fora. Mas tb existe o que estou agora.