
Tive dias em que plainei, por cima das nuvens.
Mas sabia que não era eu.
Sabia que não era pra mim.
Então voltei para o meu Palácio de Penumbras, que fica na parte mais profunda onde eu já estive.
E é tão calmo como o chão…Tão sólido.
Dali eu sei, mais pro fundo eu não vou.
E aqui no abismo escuro que eu me encontro, que eu reino.
Passiva, Calma, Plena, Onipresente em Mim Mesma.
É aqui que eu sou. E aqui que eu nasci pra estar
É aqui que eu nasci pra morrer.
Em cada canto eu sei onde guardei cada dor, cada amor falido e cada guerra vencida ou perdida.
É aqui que mora cada sorriso que eu nao me permiti dar e também todos os que eu já dei querendo chorar.
É aqui que está cada abuso e cada ferida que pra ninguém eu pude contar.
Aqui eu me permito viver cada culpa que fora de mim eu finjo estar.
É aqui que cada lágrima ganha cor, ganha nome e ganha vida.
Aqui no meu Castelo, EU POSSO.
Aqui não há expectativas, não há expectadores para cada derrota, para cada maldade e cada sentimento mesquinho que eu possa ter.
Aqui eu posso ter inveja, eu posso praguejar e eu posso errar.
Eu posso quebrar tudo, porque aqui já nada é inteiro.
Aqui não há mais perdas, porque o que havia, já foi perdido.
Aqui, só aqui eu descanso. Cálida, sem cor, sem voz e sem vontades.
Aqui eu repouso.
Aqui não há tempo e não há espera
Há somente certezas. Absolutas e Sinceras.
É aqui, só aqui que eu sei plenamento quem sou.
É aqui que eu posso acabar, sumir, sem nunca ter saudade de ter existido.
É aqui no aconchego gelado da penumbra que me aceito.
Que eu domino.
É aqui que eu Sou. Firme. Eu. Fatal.